12/02/2008

O meu Vizinho

Este mês faz me lembrar uma pessoa em especial e a ele devo muito, por isso aqui fica uma breve nota do que este "avô" representou para mim.
O meu vizinho, que foi mais que isso, dedicou-se à terra e às suas cabras, como aos filhos que nunca teve e era um homem sempre disposto a aprender e a ensinar. O seu olhar sobre a objectiva era sempre de ingenuidade e curiosidade, típicas de quando queria aprender mais qualquer coisa. Com ele passei a melhor véspera de Natal quando em casa se faziam os preparativos eu aprendia a semear ervilhas... passámos horas a rir porque eu acabava sempre por não conseguir atirar o estrume como devia ser, e ele repetia "ahhh Rita dum diabo!".
Sentirei sempre falta do tilintar do sino das cabras, correr pelos montes com o meu irmão em busca do Flor e do seu rebanho e ficar horas e horas a ouvir as suas histórias.
Fico grata por um dia ter tido um terceiro avô!


This month reminds me of a special person, to whom I owe a lot, so I will just leave a note about what this “grandpa” meant to me.
My neighbour, who was much more than this, dedicated his life to his land and goats, as much as he would to the children he never had, and he took every chance to learn and teach. His look at the camera lens was always one of naivety and curiosity, typical of when he wished to learn something else. It was with him that I spent the best Christmas Eve ever: while at home all the preparations were made, I learned to grow peas… We spent hours and hours laughing, because I always ended up not managing to throw the manure as I should, and he repeated “aaah, Rita, you little devil!”.
I will forever miss the tinkle of the goat bell, running through the hills with my brother, looking for Flor and his flock, and listening to his stories for endless hours. I am grateful because once I had a third grandpa!




"Cabra coxa não descansa"

“A lame goat does not rest”

8 comments:

cima said...

...Grande Homem...e era alfabeto, como dizia a mulher...mas nao era parvo...com Ele aprendi o pouco que sei de agricultura, apesar de me dizer sempre que nao aprendia nada...e é verdade, sem ele nao consigo plantar favas, podar a vinha, pois o meu Mestre estava sempre presente para me conduzir.
Tinha dois grandes inimigos os melros que lhe comiam as sementes recem semeadas e as toupeiras que lhe comiam as cebolas por dentro, tirando isso a vida era bela...

Sound and Fury, signifying nothing said...

As duas fotografias de cima estão no meu top10 das tuas fotos. O teu talento e o talento do modelo no auge.

E um excelente texto, também, que nos mostra bem a vossa relação.

Beijinho grande

vasco said...

Fantástico, não é apenas o trabalho fotográfico que está bom, mas todo o sentimento de carinho e amizade transcrito para o texto. O verdadeiro Natal! O senhor não teve filhos, mas pelo menos uma excelente neta teve. A primeira foto está simplesmente maravilhosa. Parabéns! Bem, as outras não ficam muito longe da qualidade desta primeira. Estás quase um Sebastião Salgado.

Clara said...

Grande Vizinho! As fotos nem se fala.
Bjocas.

Anonymous said...

É bom saber que tens a capacidade de ter vários tipos de amor. Certamente que o teu vizinho te ensinou muito. E tu a ele.
As tuas fotos emocionam-me. O teu texto também.
Beijinhos
Clara Faria

teté said...

Tens muita razao, era mesmo mais que um "atao vizinho!"

Anonymous said...

Olá Ritinha.... Gostei muito do teu blog e quase me lembro do teu Pai comprar os espelhos Mohameds da tua foto....Há umas ondas boas na Noruega, mas devia estar muito frio.....Bjs, do Pescas

Anonymous said...

Adoro o teu trabalho com velhotes...